Now Reading
Conceptualización del bienestar social
5 min · 33

Conceptualización del bienestar social

O conceito de bem-estar não é uniforme e varia de acordo com os autores. Na conceitualização estão presentes considerações de diversa índole, destacam-se as empíricas, as ideológicas, as políticas e as técnicas, o que torna a tarefa árdua e complicada. O bem-estar social é algo mais do que a soma do bem-estar de cada indivíduo considerado separadamente. Mas, o bem-estar dos indivíduos dá conta do bem-estar coletivo.

O bem-estar social é algo mais que a soma do bem-estar de cada indivíduo considerado separadamente. Mas, o bem-estar dos indivíduos dá conta do bem-estar coletivo.

Na literatura sobre o tema do bem-estar encontramos diversas definições do termo que podem ser classificadas como conceitos amplos ou restritos, de acordo com as dimensões e alcances que se dêem ao termo.

Conceções amplas do bem-estar social

Em sentido amplo, o bem-estar social é aquele que identifica o bem-estar com a satisfação plena das necessidades básicas ou essenciais, sem estabelecer qualquer limitação sobre as mesmas e, além disso, refere-se ao modo (modo de vida, modo de produção) como os seres humanos produzem os bens e serviços, a forma utilizada para sua distribuição, o acesso aos mesmos e, a forma como se relacionam as pessoas no processo produtivo.

As definições amplas vinculam as necessidades do ser humano com o bem-estar; mas, introduzem elementos relacionados com a liberdade dos indivíduos e, especialmente, sobre a forma como os seres humanos se organizam para produzir e distribuir os bens e serviços para satisfazer as suas necessidades, o que determina o aparecimento das desigualdades sociais. Aqui, a satisfação das necessidades e o bem-estar são variáveis dependentes do modo de produção e, em geral, das formações económicas e sociais, conhecidas ao longo da história.

Conceções restritas do bem-estar social

Nas conceções restritas do bem-estar social, encontramos aspetos operacionais do bem-estar, ou seja, o que torna possível criar situações de bem-estar ou possibilitar o bem-estar das pessoas. A ênfase é colocada na parte institucional, destacando-se os relacionados com os serviços sociais e os programas assistenciais para as populações mais vulneráveis.

Dirigem-se, especificamente, para aqueles aspetos relacionados com a implementação de políticas sociais, a criação de redes de serviços sociais e de um quadro institucional do bem-estar.

O bem-estar humano, de acordo com Amartya Sen

Amartya Sen, Prémio Nobel da Economia em 1998, tornou-se numa referência importante sobre os temas do desenvolvimento e o bem-estar, ao ponto de que a ONU tem feito próprias muitas de suas considerações sobre este assunto. Uma tese central do autor sustenta que: “O desenvolvimento pode perceber-se como um processo de expansão das liberdades reais que desfrutam os indivíduos”. E, a este respeito, o autor refere “cinco tipos diferentes de liberdade: liberdades políticas, serviços económicos, oportunidades sociais, garantias de transparência e segurança protetora” (1).

Estas liberdades são as dimensões do desenvolvimento e do bem-estar. Como se observa, elas vão muito além das dimensões que devem ser considerados na medição do nível de vida, por exemplo.

Um novo conceito sobre o bem-estar social

A intensificação de uma série de problemas à escala mundial relacionados com a proteção do ambiente determinou que os organismos especializados sobre os temas do desenvolvimento têm de incorporar outros elementos ao conceito de bem-estar social e inclusive, novos termos, como acontece no Equador e na Bolívia, países onde a noção de bem-estar deixou o seu espaço para as noções de “vida saudável e bem vivida” e “bom viver” (2).

Referimo-nos ao “Índice de vida saudável e bem vivida” (IVSBV) elaborado na República do Equador, para medir o bem-estar de sua população. Um índice que incorpora os aspetos materiais e imateriais do bem-estar, mas, acrescenta a estes aspetos, como variável fundamental, o tempo.

O tempo é a variável que se incorpora à medição do bem-estar. Este aspeto é muito importante, tanto no sentido material como espiritual. Quanto tempo dedicamos a cultivar as relações sociais, a criar tempo livre, ao lazer, ao amor, à amizade, ao cuidado dos filhos, à cultura, à realização como seres humanos?

See Also

Podemos ter as necessidades biológicas satisfeitas, a moradia, por exemplo, mas quantas horas de trabalho (tempo) precisamos para que essa satisfação seja possível. Se só há tempo para trabalhar e, nada mais, a noção de bem-estar não está presente.

O que significa investir em ti, investir no bem-estar?

As contribuições de Amartya Sen, e, agora, as do Índice de Vida Saudável e Bem Vivida” (IVSBV), são muito importantes no momento de considerar a medição do bem-estar. Pois, as primeiras, consideradas pela Organização das Nações Unidas, permitem estabelecer diretrizes e recomendações sobre o processo de desenvolvimento e bem-estar dos povos (Índice de Desenvolvimento Humano (IDH),ver https://desarrollohumano.org.gt/desarrollo-humano/calculo-de-idh/. E, as segundas (IVSBV); em processo de desenvolvimento, estandardização e socialização; incorporam elementos significativos a considerar na medição do bem-estar. Ver: https://nuso.org/articulo/bienestar-del-tiempo-respuesta-latinoamericana-frente-la-crisis-socioecologica/.

A tese central de Amartya Sen sobre o bem-estar humano inscreve-se dentro de uma conceção integral do desenvolvimento e o bem-estar. Uma noção que liga todos os elementos anteriormente expostos.

Em primeiro lugar, destaca-se a capacidade do humano e a possibilidade de adquirir os bens e serviços que lhe permitem a satisfação das necessidades. A capacidade tem a ver com aspetos biológicos e educacionais, enquanto que a possibilidade é de natureza social. Em segundo lugar, a valorização do ser humano como tal, a sua dignidade. Aspetos éticos. Em terceiro termo, a segurança pessoal, a superação dos medos e receios que causam insegurança, entre outros, a conservação do meio ambiente e a vida no planeta. E, em quarto lugar, aparece a liberdade. É livre o ser humano que consegue atender às suas necessidades; mas, é livre, também, o ser humano que pode exercer a sua vontade e tomar as decisões que lhe permitem a sua realização pessoal.

O IVSBV aponta para um foco, em nossa opinião, inovador e original. “Este índice é dirigido ao foco aristotélico da boa vida como uma ação bem-sucedida: a eudaimonia. Segundo Aristóteles, o indivíduo pode alcançar a boa vida se conseguiu satisfazer as suas necessidades materiais básicas, preserva sua saúde e dedica o tempo livre disponível para o lazer, a reflexão e introspeção, as relações interpessoais, o amor e o erotismo e a participação na vida pública. Em vez de viver cada vez melhor (ou seja, ter mais) o que se procura é a boa vida em si mesma” (3).

Estas considerações de Amartya Sen e do IVSBV equatoriano, a nosso ver, parecem-nos um quadro referencial conceitual para a “escola de bem-estar” que é “YOIoinvierto”. Se partirmos de que todo ato da vida humana é um investimento, então, a decisão de viver melhor, “boa vida”, ato individual e coletivo, maior liberdade no sentido do Sen, estamos investindo em nós, no bem-estar humano. Em consequência, o ser humano deve encaminhar-se para a busca da liberdade, sendo que a liberdade é desenvolvimento e bem-estar.

Referências

  1. Amartya Sen. (2012). Desenvolvimento e Liberdade. Editorial Plantea Colômbia.
  2. Hans-Jürgen Burchardt. (2018) “Bem-Estar do tempo: resposta latino-americana frente à crise socioecológica“, na Revista Nova Sociedade. Número 273, janeiro-fevereiro. Buenos Aires – Argentina.
  3. Hans-Jürgen Burchardt. Ob. Cit
View Comments (0)

Leave a Reply

Your email address will not be published.

Copyright © Todos los Derechos Reservados

Aviso Legal - Política de privacidad - Política de cookies

Scroll To Top