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Correr e sentir-se feliz
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Correr e sentir-se feliz

Cumprir seus objetivos dá-te momentos de felicidade

Quando foi a última vez que te sentiste realmente feliz?, O que estavas a  fazer?, O que celebravas?, Algum aumento no ordenado?, A graduação de teu filho?, Por que devemos esperar para ter momentos específicos para comemorar?, Por que não é melhor comemorar cada manhã e, acima de tudo, dar graças, por tudo o que somos e o que temos? Com estas palavras lhes apresentarei pouco a pouco o que eu sou e por que dou graças todas as manhãs, enquanto eu corro.

Correr me afirma que sou uma pessoa forte, altamente disciplinada e organizada, que, uma vez que tem um objetivo em mente, faz de tudo para atingi-lo. Comecei a correr há 11 anos depois do nascimento de meu primeiro filho. Um ano depois, ao terminar o primeiro ciclo de treinamento e completar minha primeira maratona, fiquei seduzida com esse sentimento de liberdade que me dá correr e extasiada com a realização de ter terminado uma meta, que poucos meses antes parecia monstruosa.

Fixar-se uma meta

Eu tinha fixado como meta acabar uma maratona por ano, depois dessa primeira vez. É assim, que, quando eu fiquei grávida de meu segundo filho, lembro-me perfeitamente de que o meu mentor e bom amigo, me disse especificamente que, se eu queria manter-me, ou melhor, não perder (tanto) o meu nível de “fitness“, tinha que continuar a praticar durante toda a gravidez algum tipo de atividade cardiovascular, tudo isso para cumprir com o meu objetivo de completar uma maratona por ano. Minha data provável do parto era nos primeiros dias do mês de abril e procurando opções de uma carreira para cumprir com o meu objetivo, havia escolhido uma maratona no final do mês de novembro, o que me dava um pouco mais de 5 meses para treinar. Assim que, eu nem curta, nem preguiçosa, segui as instruções de meu mentor… obviamente, ao pé da letra!

Informar-te sobre a experiência dos outros

Como eu gosto de estar informada, li muitos artigos e alguns livros sobre a gravidez e o exercício, sobre o que fazer e, acima de tudo, o que não fazer durante estes meses. Eu contactei a vários especialistas em outros países para pedir a sua opinião e dicas sobre o tema, além de participar de um grupo de apoio on-line sobre mulheres corredoras e grávidas. O mais importante foi ter o aval de meu médico, que me conhece há muitos anos e sabe que correr é uma prioridade para mim. Naqueles anos, localmente, não consegui encontrar muita informação sobre o assunto e as mulheres que corriam, ou, pior ainda, que se atreviam a correr grávidas, eram pouquíssimas e até mal vista por muitos. Toda esta informação permitiu-me criar um processo que usei na minha rotina de treino que mais tarde vou partilhar com vocês.

Uma das coisas mais importantes que aprendi e que ainda mantenho presente dessa fase de correr grávida, foi ouvir o meu corpo e ser inteligente. Devia encontrar um equilíbrio, afinal, uma pequena pessoa crescia dentro de mim, mas eu também queria continuar a praticar um dos meus passatempos preferidos e que me faz sentir tão plena, como é correr.

Como eu fiz…

Corria de manhã e isso me ajudava a combater as náuseas, corria para sentir-me menos inchada, fui criativa para combater o desconforto do crescimento iminente do busto, corria muito devagar e com calma, prestando atenção para não esbarrar. Teu corpo sabe o que faz. Automaticamente, a poucas semanas de engravidar, perdi toda a velocidade, como se o corpo me enviasse a mensagem de “vai com calma”.

Alguns dias, eu corria 15 minutos, outros 60, mas sempre ouvindo o meu corpo. Em um par de ocasiões, o meu médico me disse que eu ficasse tranquila e assim o fiz. Corri até a semana 35 ao ar livre e após da semana 36, mudei-me para a passadeira rolante do ginásio para ter menos impacto no corpo. Devo confessar que algumas pessoas me olhavam perplexas e a vez surpreendidas por ver aquela proeza, uma mulher grávida a correr!, Que loucura!, terão pensado. Até me chegaram a dizer que estava a matar ao meu filho com esta prática. Na semana 38, competi em uma corrida de 3 quilómetros feita especialmente para mulheres grávidas, na qual eu ganhei o primeiro lugar e muitos prémios para o bebé. Finalmente, o meu filho veio ao mundo na semana 41, pesando 8.8 libras, parto natural e sem epidural, quase em casa, mas essa história eu deixo-a para outro artigo.

Bebé recém-nascido, aleitamento materno e maratona.

Lembram-se do meu objetivo de completar uma maratona por ano, ou seja, 5 meses depois de ter dado à luz? Bom, eu o tinha muito fixo na minha mente. Aos 5 dias depois de ter saído do hospital, fui a correr um par de quilómetros, de volta para a faixa costeira e sem o peso da barriga, esse momento foi de liberação e o início de um novo começo.

Um bebé de semanas de nascido, amamentação exclusiva e treinando para uma maratona. Eu acordava às 4:30 da manhã para tirar o leite por 30 minutos antes de sair a correr, isso cumpria duas funções muito importantes, que me esvaziava os seios para não correr com o busto cheio de leite, o que é extremamente desconfortável e deixava o biberão pronto para que meu marido desse ao bebé quando acordasse. Isso foi assim durante os 5 meses que eu tinha para treinar. Chegou novembro e eu completei a minha maratona anual. Vão pensar que eu estava passando por um momento de loucura pós-parto, mas, muito pelo contrário, esse era um momento para mim, para me dar o espaço que tanto precisava, para ajustar-me às mudanças de ser mãe de dois, para recentrar-me e para reconhecer-me.

Correr sempre foi o melhor…

Comecei a correr há 11 anos e nunca olhei para trás, foi o melhor que o destino colocou em meu caminho. Sinto-me muito identificada com esse escrito que partilho citando ao George Sheehan de seu livro The Essential Sheehan:

“Correr me fez livre. Me livrou da preocupação pela opinião dos outros. Me despojou das regras e normas impostas pelos outros. Correr me permitiu começar do zero. Livrou-me dessas camadas de atividade e pensamentos programados. Desenvolveu novas prioridades para comer e dormir, e o que fazer com meu tempo livre. Correr mudou a minha atitude sobre o trabalho e o jogo. Sobre quem realmente eu gostava e quem realmente gostava de mim. Correr permitiu–me ver o meu dia de vinte e quatro horas com uma nova luz, e meu estilo de vida a partir de uma perspetiva e de um ponto de vista diferente, desde dentro em vez de desde fora”.

 

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Acabo este escrito, dando graças por:

Ter ficado grávida e levar a uma gravidez saudável, que me permitiu correr.

Ter um bebé saudável.

Ter concluído minha maratona anual 5 meses após desse nascimento.

A todas as pessoas que me apoiaram para que eu pudesse cumprir a minha meta.

Por correr e sentir-me feliz.

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